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O Atroz Encanto de ser Médico

08/08/2013 03:28:16

Autor: Dr. Fernando Lucchese
Cargo: Médico

Está ficando cada vez mais difícil mostrar aos jovens o encantamento desta profissão. Nós, os mais velhos, chegamos a ela com a inspiração mágica de quem descobre um modo de ser feliz. Os meninos de hoje ao escolher sua profissão não suspeitam o que a medicina pode realmente lhes oferecer. A tendência dos jovens é ficar longe de profissões em conflito. A medicina é hoje uma profissão em conflito.

 
Atitudes superficiais e sem nexo, de governantes sem o mérito do conhecimento, podem produzir catástrofes a longo prazo. E chegam muitas vezes como solução miraculosa para resolver o problema do dia.  É o imediatismo que produz a fileira de cruzes do caminho.  O imediatismo e a improvisação como consequência. O imediatismo gerou o artigo constitucional que prescreveu saúde para todos como um direito e dever do Estado sem prever os recursos necessários. O mesmo imediatismo pela necessidade de manter o caixa bloqueou a emenda 29 transferindo para os estados e municípios um compromisso impossível de ser saldado. A queda de 30% do financiamento da saúde pelo governo federal nos últimos dez anos foi a resposta aos projetos de bolsa família, “bolsa qualquer coisa”, sem considerar que para receber uma bolsa é bom que o cidadão esteja vivo e saudável. Sempre o imediatismo e a improvisação. A falta de visão de futuro, de planejamento, faz com que sejamos administrados por medidas provisórias com prazo definido para aprovação, que se tornam leis sem o devido cuidado. Por isso a regulamentação da carreira do médico passou dormindo no congresso e nas instâncias oficiais durante onze anos, por haver outras prioridades mais importantes, como as “sábias” decisões de perdoar dívidas a outros países ou mandar para o exterior nossos recursos para auxiliar os governantes de nossa simpatia.  O imediatismo e a improvisação levaram a vetar em tempo recorde artigos da lei de regulamentação da carreira do médico, simplesmente por achar que podem influir nas ações do SUS, uma irresponsabilidade desastrosa. Os cidadãos pagarão no futuro pela desestruturação do sistema de saúde. Fácil compreender: quem assinará os atestados de óbito ou se responsabilizará pelas mutilações produzidas por profissionais não médicos sem qualificação, a prescrever e tratar os pacientes, amparados pela lei?
 
Imediatismo e improvisação andam sempre juntos. Em resposta ao clamor das ruas improvisa-se prometendo uma constituinte, um curso de medicina de oito anos, uma solução imediata para a mobilidade urbana. Este é o país da improvisação. Com a mesma cara que se anuncia um curso de oito anos volta-se atrás ao perceber que a Comissão de Especialistas do MEC há seis meses já sugerira bolsa de residência médica com atuação no SUS para todos os formados. E o documento da Comissão devia estar dormindo em alguma gaveta do MEC à espera de nova improvisação.
 
Da mesma forma querem improvisar médicos brasileiros e estrangeiros em postos de saúde onde apenas existem mesas cadeiras e canetas, provavelmente superfaturadas na ocasião de sua compra, e sem estetoscópio ou outros recursos absolutamente necessários.
 
Os médicos continuam sendo o para-choque do sistema de saúde. Agora a crise não se limita ao SUS, já invade os convênios e planos de saúde. O número de leitos reduziu fragorosamente enquanto a população e suas necessidades aumentaram. Mas não há investidores suficientemente loucos para se lançar na perigosa tarefa de construir hospitais, como outro negócio qualquer, pois sabem que serão dizimados por um governo estatizante.
 
Por tudo isso, como seduziremos as novas gerações? Como faremos que acreditem que esta é uma profissão abençoada, acarinhada pela gratidão perene dos pacientes? Como acreditarão que o prazer de diagnosticar e curar faz superar o cansaço das longas horas de trabalho?
Nunca imaginei que um dia eu viveria um atroz encanto de ser médico.
 

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